A casa, além de suprir uma necessidade básica, transcende o espaço e o tempo, consolidando-se como um pilar antropológico, o nosso “ponto fixo” no mundo, de modo que o espaço é responsável por moldar as memórias em nós. Recordo-me, por exemplo, da infância vivida na Casa Velha do Alto, onde moramos por tanto tempo, no Sítio Angico, Quixelô-CE. Lembro-me daquela vista para o nascente; do alpendre avistávamos as águas do açude e a serra azulzinha lá no horizonte. A cor avermelhada dos grandes tijolos das paredes sem cal e nosso outão, que cedo da tarde fazia sombra. Ali era nosso espaço de encanto, onde tudo era lúdico e eterno. À noite, o vento aracati assobiava nas frestas das portas, adentrando e refrescando todos os cômodos da casa.
A casa é afeto. É o ponto de partida sobre o qual organizamos o mundo, a vida se estabiliza e se arraiga em todos os espaços de nossa existência. O sociólogo e filósofo francês Maurice Halbwachs, ao estudar a memória, argumentava que as lembranças individuais se ancoram em quadros sociais, muitas vezes ligados a espaços físicos. A casa, o lar, é o primeiro e mais íntimo desses quadros, o locus onde o indivíduo constrói seu senso de permanência e pertencimento. A falta desse ponto fixo gera desorientação e fragilidade existencial.
Sensíveis à questão da moradia, que limita a vida de tantos irmãos e irmãs nossos, atentos à Palavra de Deus e dispostos à ação, é a fraternidade – elemento fundamental da fé cristã – que queremos guardar e promover na campanha que anualmente, no Brasil, tem lugar no tempo...
O artigo visa oferecer uma abordagem panorâmica acerca do conceito de “casa”, “moradia” ou “morada” na Sagrada Escritura, articulando esses significados com a temática da moradia e, de modo particular, com o lema da Campanha da Fraternidade 2026, extraído do Evangelho segundo João (1,14): “Ele veio morar entre nós”....
Este artigo atende à necessidade de refletir sobre a questão e a realidade da moradia – tema da Campanha da Fraternidade da Igreja no Brasil, coordenada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – em relação às pessoas em trajetória (tempo mais provisório) e situação (tempo de maior extensão)...
Introdução Graciliano era um ateu convicto, com simpatia declarada pelo comunismo, a ponto de filiar-se no Partido Comunista do Brasil em 1945, ano da publicação de seu romance Infância. Permaneceu no partido até sua morte, em 1953. Há que recordar, porém, que sua relação com o partido foi sempre...
Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus
I. INTRODUÇÃO GERAL A liturgia deste domingo nos convida a pôr em prática nosso batismo, como profetas, pastores e povo sacerdotal, aos moldes de Jesus de Nazaré. A primeira leitura nos convida à profecia de uma vida de santidade e fidelidade a Deus. A fidelidade vai na contramão da...
Que a vossa luz brilhe no mundo!
I. INTRODUÇÃO GERAL Movidos pelo desejo de sermos fiéis testemunhas de Jesus no mundo, vivenciando nosso batismo, encontramos na liturgia inspiração para viver a caridade fraterna: somos todos irmãos e irmãs neste mundo. Há quem esteja com fome e podemos dar-lhe de comer; ao nu, vestir; ao peregrino, acolher....
Que o vosso “sim” seja “sim” e vosso “não” seja “não”
I. INTRODUÇÃO GERAL Movidos pela Palavra de Deus, somos convidados a amar profundamente nossos semelhantes, aqueles que chamamos de irmãos, com os quais construímos fraternidade. A primeira leitura nos convida a discernir sobre o bem e o mal, a fim de que colhamos as melhores consequências para nossa existência,...
Misericórdia, ó Senhor, pois pecamos!
I. INTRODUÇÃO GERAL Iniciamos neste dia nossos exercícios quaresmais, tempo de reflexão e silêncio, penitência e conversão, fraternidade e comunhão. A Quaresma, à luz da Palavra de Deus, inspira-nos a vivenciar, na Igreja no Brasil, a Campanha da Fraternidade (CF), com o tema “Fraternidade e moradia” e com o...